30 de nov. de 2007

Contos Organicos. 1

O par de olhos por trás do nariz andam por sobre os pés

que empurram o chão para trás em meio á multidão

até parar, onde vou parar?

Paro em um lugar qualquer, respiro uma ultima parcela do ar adulterado dessa cidade adulterada com cidadãos adulto-errados.

Fecho os olhos e me jogo no trilho no exato momento em que o maquinista freou o trem... E minha vida inútil se arrastará por mais alguns segundos.

Volto para casa com vergonha de mim mesmo, e a perplexidade da "missão não cumprida" me atormenta.

No banheiro, muitos remédios ao mesmo tempo podem dar fim à minha miserável existência. Tomo todos de uma vez, desde remédios para gases e dor de cabeça, até alguns tarja preta de meu tio-avô.

Desabo desacordado no banheiro, tomei a precaução de trancar a porta. Agora ninguém tentará me salvar enquanto apodreço em meu paraíso de azulejos verdes.

Acordo em uma mesa de hospital. O medico disse algo que não consegui entender, mas parecia estar muito bravo. Gritava comigo, e eu reparei que não conseguia mover mais os membros inferiores.

Olhei para ele e perguntei" Dr. Isso vai me deixar impotente?" ele respondeu com indiferença “você não estava pronto para morrer? Matou metade de você, agora você é sua metade de cima. As pernas e o pênis simplesmente estão desfalecidos. E você teria matado todo o seu corpo se não fosse essa Senhora”.

Disse a apontou para minha tia, e de repente senti um tremendo ódio dela, que estava tomando um chá de pé com os olhos vermelhos, o rosto molhado e abriu um sorriso ao me ver aproximar na mesa que o medico empurrava. Abraçou-me forte a titia, me disse amar, e que estava preocupada, "por que não me deixou morrer?" perguntei em minha mente, mas não tive coragem de perguntá-la.

Quando saímos do hospital. Cerca de 3 horas depois, ela me encaminhou para um carro, de um amigo dela.

Eles haviam retirado o banco do passageiro da frente para que eu entrasse com a minha cadeira de rodas.

Quando ela terminou de me aconchegar no meu "novo" lugar no carro, deu a volta no carro para entrar na porta traseira.

Foi rápido demais, e não me pareceu real por muitos e muitos dias. Em instantes ela estava comigo, logo após estava branca no chão. Um carro desgovernado a pegou em cheio.

Ela estava lá por minha causa, foi minha tentativa inútil de suicídio inútil que fez a minha tia útil morrer.

E a culpa me perseguirá logo ao lado da minha sombra para o resto da minha vida.

Tentei encarar a vida da forma certa agora, de frente. Todos os problemas vieram e foram, e sobrevivi a todos. Menos ao meu ultimo suspiro, que me foi tomado por uma infecção no pulmão. E morri honrosamente como um vergonhoso suicida-mal-sucedido.

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