17 de abr. de 2008

Um dia numa Igreja

Um dia numa igreja.
Uma atriz pornô está sendo entrevistada diante dos fiéis:


- Como a senhora se sente, aos 40 anos, após ser reconhecida no Brasil todo pela sua bunda, e agora por seus filmes pornográficos, ao se tornar uma seguidora do Senhor?
- Eu me sinto limpa, antes eu mal conseguia dormir, Jesus entrou na minha vida, e é para valer.
- Você sempre ganhou dinheiro de formas "pecaminosas" e "subversivas". Como pretende pôr a comida à mesa agora?
- Eu já tenho uns projetos, umas idéias, mas agora que Jesus está do meu lado, mesmo que eu perca tudo eu ainda estarei realizada.
- E você pode nos contar um desses projetos?
- É um filme, com o Matheus Comiélli, o Alexandre Broxa e a Rita Brasília.
- E seria o que?
- Um filme de teor erótico, com closes nas partes íntimas em ação e sexo casual.
- E qual seria a diferença de um filme erótico desses e um filme pornográfico?
- O nome.


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E após saudosas seções de aplausos e assovios, uma performace de nosso maior músico de todos os tempos, Bis-Netinho de Paula cantando Jesuis( uma versão nova e religiosa para Tanajura ):

" Jesuis, Jesuis Cristu...
Nesse, eu Acreditu ...
Vem cá... E salva a minha alma...
Me arruma um emprego...
Glória glória aleluia!!!!!"


PS: Nada contra Igrejas e religiosos, apenas contra a Hipocrisia , os hipopótamos e os Hipócritas.


16 de abr. de 2008

Morreu

Morreu!
E como não devia de ser?
Viveu como se vive. E morreu como todo ser.

Dotado de limites.
Dotado de tempo.

O relógio do organismo mal-espera por te matar.

E de repente, num cruzamento qualquer de uma rua qualquer. Ou numa sala qualquer de uma casa tão qualquer quanto.
O seu rosto encontra o chão.
E como se tudo que você fez na sua vida não significasse nada...

Adeus, Á Deus...

E tão somente como sempre seremos,
nada quando nascemos,
nada quando morremos.
" Do pó viemos, e ao pó voltaremos".


( Esse texto foi postado no abacaxipatoshow no dia 13/03/2008 )

Feliz Desaniversário


Parabéns
Parabéns
Hoje é o seu dia, que dia mais feliz!
Parabéns
Parabéns

E assim judiava a vida de José...
Parabéns... Hoje é o seu dia que dia mais feliz!...

C
om o coro insuportável de criancinhas otimistas...
Parabéns... Hoje é o seu dia que dia mais feliz!...

Cantando sem parar ao som da prostituta gostosa que apresenta o programa infantil...
Parabéns... Hoje é o seu dia que dia mais feliz!...

E assim judia a vida de José.

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E agora José?
Tá sem emprego, sem mulher, sem casa. ( obs: esse José tinha emprego, eu só quis aproveitar a intertextualidade)

... sem vida

José é um morto-vivo que respira merda.
Come pra trabalhar, trabalha pra comer.
Dorme cedo todo dia, e acorda mais cedo ainda.
Ao chegar do final de semana, a todo segundo de liberdade a música que impregnou em sua mente não o deixa pensar...

Parabéns... Hoje é o seu dia que dia mais feliz!...

Tum-Tum
Fazem os sapatos no asfalto.
Bi-bi... Os carros no trânsito.
Ping-poing... a chuva na janela.

E tudo aquilo era tudo... aquilo era tudo...aquilo era ridículo.
José estava enlouquecendo
Olhava no espelho e via um maracujá podre do que era há três anos.
Mesmas idéias, é como se o tempo não tivesse de fato passado.
Mas esses anos passaram como dias, e os segundos voltados para si mesmo eram minúsculos.


Ah!
Como eu queria um dia pra mim.
Parabéns... Hoje é o seu dia que dia mais feliz!...


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E ele seguiu até o viaduto do chá...
Parabéns... Hoje é o seu dia que dia mais feliz!...
Pediu perdão mentalmente a todos os fiadores de suas dívidas que jamais serão pagas...
Parabéns... Hoje é o seu dia que dia mais feliz!...
Subiu no para-peito do viaduto...
Parabéns... Hoje é o seu dia que dia mais feliz!...
Abriu as asas...
Parabéns... Hoje é o seu dia que dia mais feliz!...

E voou em direção ao centro da terra.
Mergulhando em asfalto.

E viveu para sempre
Dentro de uma partícula de vidro.


Parabéns
Parabéns
Cante novamente que a gente pede bis

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E assim judiava a vida de José...
Abriu os olhos e ainda estava vivo.
Estava em sua cama.
Acordou cansado, como se nem tivesse dormido.
Penteou o cabelo, e atrasadíssimo para o trabalho, correu para pegar o transporte coletivo.
E assim judiava a vida de José...
Afinal a cada segundo que se passava, a vida roubava um segundo de vida de José.
E quanto mais se aproximava do último suspiro, menos ele queria ser racional ao menos para entender isso.
E nunca mudou de vida, até morrer de câncer aos 74 anos.
E assim judiava a vida de José...


( Esse texto foi postado no abacaxipatoshow no dia 13/03/2008 )

Copo de veneno

Esse copo de veneno
é só um copo de veneno
não é morte nem ferida
não é dor já esquecida...
Esse copo de veneno
um copinho tão pequeno
de vidrinho cristalino
tão completo de veneno.

Esse copo de veneno
Esse copo de veneno
Esse copo de veneno.
É só um copo de veneno...
E não é morte.
E não trás sorte.
Quem quer que o beba morrerá.

Pois o copo de veneno.
É só copo de veneno.
Só do copo de veneno
Não se morre de olhar ou cheirar.
Pois o copo de veneno.
O velho e o pequeno,
velho copo de veneno,
só mata a quem bebê-lo.

Pois o copo de veneno,
é só um copo de veneno,
e não a morte.

( Esse texto foi postado no abacaxipatoshow no dia 18/03/2008 )

Resenha, Meio e Fim

Resenha:

E tudo começou no começo...

Meio:

E depois... começou a terminar

Fim:

E acabou.

( Esse texto foi postado no abacaxipatoshow no dia 24/03/2008 )

Papo de índio

Sentou-se na cabana e pegou o cachimbo, elevou a fumaça, aspirou sonho, e assim sonhou.
Acordou de repente em um quarto estranho.
"Onde estou?" perguntou a si mesmo.
"No inferno" respondeu á sua própria pergunta.

Caminhou com suas vestes, que se já não estivessem num cabide ele nem saberia serem vestes - um sapato apertado e quente e um paletó preto sufocante- não abotoou os botões, pois não sabia que serviam para isso.

Caminhou para algum lugar que não sabia onde era, seguindo as multidões. Entrou na estação de metrô, onde sentiu a necessidade de pegar aquele transporte brutalmente rápido e metálico. Observando as pessoas ao seu redor pagou um bilhete e pôs-se a viajar.

Ao chegar a uma estação, sentiu o desenfreado desejo de descer. E seguindo outros que desciam ali, desceu e lá subiu um lance de escadas. Estava dentro de um shopping. Muito embora um índio não imaginasse o que pode ser um shopping center, andou lá como um exímio empresário. Ao passar em frente a uma loja, o rapaz lhe olhou rabugento e exclamou:
-Tá atrasado porra!
- Perdão senhor.
- Perdão o caralho! Vai trabalhar e pare de perder o meu tempo.

E o rapaz entrou...

Dentro da loja, muitos brinquedos espalhados, mas sentiu que deveria subir um lance de escadas que estava no último corredor com a prateleira 8 (que ele sabia que era a área infanto-juvenil - que continha jogos de tabuleiro - não me pergunte como ). Subiu e lá entrou numa apertada mas bonita sala. Cadeira de couro, mesa preta, computador, papéis e mais papéis sobre a mesa.

Lá ele pegou um telefone, de uma jovem morena nua em seu panfleto. O nome era Clarisse Esperanza. Ligou e chamou-a, ela reconheceu a voz. E já sabia o endereço. Em menos de uma hora a bela prostituta estava em sua sala com uma lingerie preta acariciando seus testículos.
Após a transa ela pediu o dinheiro que na primeira gaveta de sua mesa já estava reservado. E foi-se.

...

Terminado o dia de trabalho. Voltou para casa e deitou-se no sofá. Lá pegou um "baseado" que estava enrolado na mesinha da sala e acendeu-o. Relaxou até apagar.

...


Acordou numa cabana. Conversando com outro índio.
Este lhe dizia:
- Nada que acontece com você depende realmente de você, tudo é influenciado pelo ambiente em que se vive.
Ouviu tudo isso embaçado, e peguntou:
- Quem és?
- Sou aquele que toma as decisões por você. Você é apenas uma máquina no meu domínio. A cabana é a sua mente. E eu sou seu sub-consciente.
- Eu ainda tomo as decisões!
- Eu quero que você me conteste. Me conteste!
- Eu me governo, não sou mero brinquedo seu!
- Me conteste! me conteste!
- Vou acordar agora e me matar!
- Você irá se matar por não se controlar, ou por não tê-la conquistado?
- O que?
- Eu sei o que está pensando agora, não há como fugir de mim, eu te conheço melhor do que você mesmo, e se você quiser nos matar, saiba que isso não tem nada a ver com a sua frustração por ser minha mera máquina, e sim por não tê-la conquistado ao quinto ano do colégio, e que isso me choca também, como alguem como eu pode perder uma donzela daquelas para o resto dos jovens dotados de pênis, por isso não casamos e por isso eu e você somos um frustrado sem vida afetiva, comedor de putas, bem sucedido economicamente, solteirão de merda...

...

E o jovem não acordou.

( Esse texto foi postado no abacaxipatoshow no dia 02/04/2008 )